Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. João 5:39

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A Parábola do Juiz Iníquo


Lucas 18: 2-8


INTRODUÇÃO

Um dos maiores erros cometidos pela maioria das pessoas em todos os tempos, é o julgamento distorcido e a falta de compreensão da natureza de Deus. As pessoas avaliam o Senhor tendo como parâmetro a sua própria razão e os padrões humanos. Pensam que a disposição de Deus é semelhante à dos homens, bem como o seu modo de pensar e de agir. No entanto, a Palavra diz: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.” – Isaías 55: 8.

DESENVOLVIMENTO

As pessoas têm necessidades e aflições em suas vidas, inclusive muitos servos do Senhor, e se sujeitam passivamente a estas situações adversas, privando-se de muitas coisas legítimas, simplesmente por não conhecerem as Escrituras nem entenderem a natureza de Deus (Marcos 12; 24). As pessoas não sabem que o Senhor conhece a situação de cada um e que ele está interessado em ajudar a todos e atender às suas solicitudes da melhor maneira possível.

É impressionante como tantos servos do Senhor levam uma vida espiritual sem sabor e sem experiências que os edifique mais e mais a cada dia. A própria Palavra responde qual a razão dessa apatia espiritual que domina a tantos. Em Tiago 4: 2 está escrito: “...nada tendes, porque não pedis.”  Aí está a razão de tantas situações difíceis que enfrentamos na vida: Não pedir. A Palavra diz também: “Porque a mão do Senhor não está encolhida que não possa abençoar” – Isaías 59: 1.

O Senhor Jesus procurou colocar esse ensino no coração dos seus discípulos e de todos os seus servos em geral, quando transmitiu a Parábola do Juiz Iníquo. Nela o Senhor fala de uma mulher viúva que todos os dias se dirigia ao tribunal para se queixar a um certo juiz que não temia a Deus nem aos homens, para que fizesse justiça contra seu adversário.

Alguns detalhes nesta parábola merecem a nossa apreciação. A mulher viúva representa uma pessoa necessitada, desamparada e sofredora, que não tem ninguém que lute pela sua causa. Mesmo sendo ela uma pobre viúva, sem recurso algum, ainda assim, existe um adversário para aumentar o seu tormento e a sua inquietação, e que é o responsável pela obstrução dos seus direitos, deixados pelo seu falecido marido. Ela não se rende às dificuldades impostas pela situação e se dispõe, e vai pedir ao juiz da cidade que defenda seus interesses contra seu adversário e lhe faça justiça. Mas o Senhor Jesus observou que o Juiz era um homem ímpio, que não temia a Deus nem respeitava os homens; era soberbo e egoísta, e não pensava nas necessidades dos outros, mas somente nas suas.

O que fazer diante de um juiz que não se interessava pelas causas e injustiças sofridas pelos cidadãos da sua comarca? Aquela viúva não desanimou, mas todos os dias batia na porta do tribunal em busca de um julgamento de sua causa e de um veredicto que lhe fosse favorável. Por um tempo, o juiz não lhe deu ouvidos e não se preocupou em atendê-la, mas devido à sua insistência, resolveu apreciar seu pedido e fazer-lhe justiça, simplesmente para se livrar da sua importunação.

“E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz. E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?”

O que aconteceu com esta viúva, em parte é o que tem acontecido com muitos servos do Senhor. Dizemos em parte, porque muitos estão sofrendo o que ela sofreu, mas têm parado e se rendido diante das impossibilidades que se apresentam diante dos seus olhos, e a maior delas é a falta de fé, que vem se agravando à medida que a vinda de Jesus se aproxima.

Muitos dizem assim: Mas Deus conhece as minhas necessidades, porque Ele não as atende? Se Ele é onisciente, então porque não sonda o meu coração e simplesmente me concede tudo que preciso? Existem muitas coisas na economia de Deus que precisamos entender. Uma delas é o fato de Deus só agir mediante as orações do seu povo e dos seus servos. É algo que precisamos entender bem. Deus é infinitamente poderoso, mas Ele mesmo determinou que só age quando oramos, pois a oração é a forma que temos para mostrar que cremos e confiamos nele; quando oramos estamos declarando que esperamos na sua providência e que queremos de fato receber aquilo que pedimos. Através da oração nós nos colocamos do lado do Senhor e isso propicia a resposta daquilo que necessitamos.

Quando pedimos apenas uma vez e desistimos, isso indica que não estamos interessados ou que não esperamos receber aquilo que pedimos. Foi por isso que Jesus disse: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” A insistência no pedir, no buscar e no bater, não perturbam o Senhor nem o deixam impaciente, mas é exatamente o contrário que o incomoda. Quando não o fazemos, demonstramos que não confiamos na sua providência e no seu poder e interesse em nos atender, e isso entristece o Senhor, e a nossa vida fica sem a devida edificação e enriquecimento, além de não ver a nossa necessidade satisfeita.

Existe aqui uma questão de direito também. A viúva buscava seus direitos, que haviam sido usurpados pelo adversário, mas que lhe foram concedidos com a morte do seu marido. Isso fala do direito que alcançamos também mediante a morte do Senhor Jesus, na cruz do Calvário, em nosso lugar, aos quais temos direito através da sua justiça.

Existe algo que precisamos entender: Muitas coisas não são alcançadas na nossa vida, porque existe um bloqueio ou um impedimento causado pelo adversário, na esfera espiritual. Quando Daniel orou e jejuou por vinte e um dias, pedindo a Deus que revelasse o que aconteceria com Israel, a resposta só veio no final do período de jejum, e o anjo disse que a resposta havia sido expedida desde o primeiro dia em que Daniel começou a orar; mas o “príncipe dos reis da pérsia”, que era o adversário, se opôs a ele e foi preciso que se travasse uma batalha para que a resposta chegasse a Daniel.

A Bíblia diz que o adversário nos acusa dia e noite (Ap 12: 10). Podemos ver isso quando o inimigo acusa Jó diante de Deus (Jó 1: 11). Isso deve levar Deus a reter muitas bênçãos em nosso favor, pois na sua justiça, Ele nada pode fazer quando as acusações têm fundamento. Mas quando nós oramos e dizemos com perseverança: Senhor, faz justiça contra meu adversário, então o Senhor nos atende, não pela importunação, como fez o injusto juiz, mas por causa da justiça que há no Sangue de Jesus, pois clamar por justiça, não é clamar pela nossa justiça, mas pelo Poder que há no Sangue de Jesus. Quando perseveramos em oração naquilo que almejamos (e isso não fere o propósito do Senhor na nossa vida e na vida dos outros), então nos colocamos ao lado do Deus, declaramos que confiamos nele e que esperamos que nos atenda, logo o Senhor responde à nossa oração, pois “qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou também, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”

CONCLUSÃO

O Senhor é um Deus amoroso com todos os seus filhos, e que se preocupa com sua necessidades e está sempre pronto a atendê-las, sejam em que área forem da sua vida. No entanto, Ele precisa de suas orações e da sua perseverança nisso, pois a oração é um exercício de fé e a perseverança o fortalecimento da mesma.

Quando oramos e clamamos pela justiça que há no sangue de Jesus, estamos nos colocando ao lado do Senhor, e isso deixa o adversário de mãos atadas e sem recursos para impedir que a oração seja atendida. Além do mais, quando o Senhor Jesus morreu na cruz, assegurou a todos aqueles que crêem nele, muitos direitos nesta vida e na eternidade.


por Wallace Oliveira Cruz

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