Por Marcelo Lyrio


E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, Abre-te.
E logo se abriram os seus ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente.
                                                                                                                                  Marcos 7:34,35

INTRODUÇÃO
Jesus saiu dos termos de Tiro e Sidom e foi para a região do Mar da Galiléia, passando por Decápolis (Marcos 07:31), uma terra considerada sendo de gentios (pessoas que não eram Israelitas) onde naquele lugar curara um surdo que falava dificilmente (Marcos 07:32).
DESENVOLVIMENTO
Decápolis significa dez cidades, do grego Deka – Dez, polis – cidades. É um conjunto, uma região de dez cidades que ficavam na fronteira oriental do império Romano, ao sul do Mar da Galiléia, se estendendo para o leste do Rio Jordão; as dez cidades eram Damasco, Filadélfia (Rabate-Amom), Rafana, Citópolis (Bete-Seã), Gadara, Hipos, Diom, Pela, Gerasa e Canata, foi nessa região que Jesus curou o homem que era surdo e que também falava dificilmente.

Decápolis – O mundo.
A região que Jesus foi para curar aquele homem.
Deus enviou Jesus ao mundo para salvar o pecador.

O surdo – Homem no mundo na condição espiritual.
Surdo, impedido de ouvir aquilo que Deus tem para falar.

Ao observarmos o texto vemos de maneira detalhada como Jesus curou aquele homem no versículo 33.


Jesus o tira do meio da multidão...
Em meio a um mundo conturbado, aflito, a multidão de problemas, de dificuldades tem rodeado o homem, a primeira coisa que Jesus quer fazer é tirá-lo dessa multidão.

Pôs os dedos nos ouvidos...
Jesus toca no homem surdo, (sua mão tocou o seu ouvido). O desejo Dele (Jesus) é que seu ministério (governo) alcance o homem para que o mesmo possa ser curado da sua surdes espiritual.

E cuspindo tocou-lhe na língua.
Mais uma vez Jesus o toca, mas dessa vez na sua língua, e com a sua saliva
Saliva – O que sai da boca do Senhor (sua palavra).
Mão – Ministério (governo)
A palavra do Senhor para governar o homem na sua vida, para que a partir daí ele passe a falar (testemunhar) daquilo que Deus fez na sua vida.

Disse Efatá
Efatá – Palavra de origem aramaica que significa “que se abra” ou “abre-te”.
Jesus pronunciou uma palavra para que os ouvidos e a fala daquele homem fossem abertos.
Pelo poder da sua palavra Jesus pode abrir o entendimento do homem, para que ele possa compreender as coisas de Deus, e assim falar, transmitir sobre a operação de Deus na sua vida.
A partir daquele momento o homem ouvia e falava perfeitamente, e ele pode ouvir Jesus também a falar com ele após esse milagre.

Quando Jesus propôs as suas parábolas, uma delas era A Parábola do Semeador, Jesus disse: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça.” (Mateus 13:09), era Jesus diretamente falando, a partir daquele momento, o homem que era surdo, também poderia ouvir diretamente Jesus falando.

Já em Apocalipse 02:07 Ele (Jesus) disse: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz à igrejas...”, dessa vez é Jesus falando através do Espírito Santo para as igrejas.
Ter ouvidos para ouvir, é compreender aquilo que o Senhor tem para falar.
Há muitas pessoas que não tem “ouvidos para ouvir”, são surdos espirituais, não compreendem as coisas de Deus, e por isso estão no mundo sem saber o que Deus tem para eles.

CONCLUSÃO
Jesus quer curar os surdos espirituais, para que esses passem a ter “ouvidos para ouvir”, e possam entender através da ação do Espírito Santo, a vontade de Deus para as suas vidas.


JESUS QUER ENTRAR E TRANSFORMAR O CORAÇÃO DO HOMEM


“E, onde quer que entrava, ou em cidade, ou aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua roupa; e todos que lhe tocavam saravam.”
                                                                                                                                           Marcos 06:56


INTRODUÇÃO

No ministério terreno de Jesus era claro e notório que havia sempre uma grande multidão que o acompanhava onde quer que ele estivesse, mas mesmo que houvesse uma multidão, as experiências de salvação que a palavra registra foram encontros individuais; podemos ver vários exemplos em que havendo multidão, pessoas que individualmente tiveram sua experiência com Jesus, e assim tiveram suas vidas transformadas, podemos citar a mulher do fluxo de sangue, o cego de Jericó, a viúva da cidade de Naim, foram pessoas que em meio a multidão tiveram a sua experiência individual, esses registros nos mostram que a salvação é uma experiência individual, um encontro pessoal com Jesus.

 DESENVOLVIMENTO

Devido a proclamação do evangelho, e o anúncio do Reino de Deus, Jesus andava em vários lugares, para assim executar o projeto que o Pai havia estabelecido na eternidade, o texto em questão nos fala disso, que ele entrava nas cidades, aldeias, e nos campos.
Embora esses lugares sejam lugares diferentes, esses lugares tem a mesma representatividade no sentido espiritual, e como a experiência de salvação precisa ser individual (De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.
Romanos 14:12), em meio a um mundo (multidão) esses lugares representam o coração (a vida) do homem que precisa que Jesus entre nele para ser transformado, cada um desses lugares, é a vida do homem vivendo situações diferentes. Vejamos.

Cidade – Limitada por grandes muros, com grandes pedras, para resistência e proteção.
Cidade - Coração do homem endurecido, incrédulo, duvidoso em relação a operação de Deus.
Jesus entrou na cidade e operou maravilhas -  ao entrar na vida do homem, ele tira a dúvida, incerteza, a incredulidade do seu coração, para enchê-lo da sua presença.

Aldeia – Lugar aberto (sem muros), poucas casas,  inseguro, os próprios moradores que se protegiam.
Aldeia – Coração frágil, se sentindo exposto aos problemas da vida, inseguro.
Jesus entrou na aldeia e também operou maravilhas – ao entrar no coração do homem, Jesus tira a insegura, a fragilidade, e fortalece a sua vida.

Campo -  Usado para o plantio, onde se plantava colhia.
Campo – Coração voltado para o material/terreno.
Jesus foi para o campo – Ao entrar no coração do homem ele (Jesus) traz o entendimento para que o homem deixe de olhar somente para baixo, para olhar para cima.

CONCLUSÃO
Independente da situação do coração do homem, Jesus quer entrar nele “Eis que estou a porta e bato...” (Apocalipse 03:20), e assim transformá-lo, basta que o homem abra a porta do mesmo.


CELEBRAI COM JÚBILO AO SENHOR


"Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração." Salmos 100:5

Segundo Landon Jones (erudito no velho testamento), "o  ser humano, por natureza, é um ser religioso. O interesse do ser humano nas coisas de Deus é uma prova disso. Uma maneira que esse interesse se expressa é no culto que oferece a Deus. O povo de Israel não era diferente. O que distinguiu o povo de Israel dos demais povos não foi o fato que adorava a Deus, mas, as características da sua adoração"

Neste período; no silêncio de Deus, o próprio Senhor levou o homem a questionar, a ter sede da verdade. Preparou tudo e todos para a vinda da Água de Tales, A Eternidade de Anaximandro, o Ar(Espírito) de Anaxímenes, o Fogo de Heráclito, a Verdade de Sócrates, o Logos de Platão e o Cosmos de Aristóteles.

"Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos." Efésios 1:23

De acordo com o título, Salmo 100 é um mizmôr le thôdah, um salmo de ação de graças. A palavra mizmôr, normalmente traduzida como “salmo”, vem do verbo zmr que quer dizer “tocar música.”

No contexto do Antigo Testamento e especialmente nos salmos, a palavra é usada para descrever o ato de tocar ou cantar música para adorar a Deus.

E ao mergulhamos nesta riqueza escriturística, deparamos-nos com o poder redentor de Deus. O plano profético do Senhor está entrelaçado aos quatro versículos tendo o quinto verso, como a suma dos quatro.

Para desenvolver este salmo usaremos a famosa técnica aristotélica de estudar o "Ser" ( neste caso, o Ser Natural).
O Hilemorfismo Teleológico que incomodava Heráclito, é desenvolvido por Aristóteles, isto é, o processo se dá no arrolar de "Quatro Causas distintas;"

> 1°- Causa Material
Essência

> 2°- Causa Formal
Característica, o que é.

> 3°- Causa Eficiente
Quem fez, o que deu forma.

> 4°- Causa Final
Finalidade, para que objetivo foi formado.

• CAUSA MATÉRIA
"Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras"
Celebrar é festejar, inaugurar algo.
A palavra nos diz que há festa na eternidade quando um pecador se arrepende (Lucas 15:10); chegamos a casa do Senhor cientes da matéria que somos (terras, pó). A partir do momento em que o júbilo do Espírito Santo inunda o nosso ser, somos participantes dessa festa espiritual.

• CAUSA FORMAL
"Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto"
Nesta festa de abertura nos é apresentado uma Obra Excelente, onde passamos de escravos deste mundo "tomamos forma de Serviçais do Reino de Deus"

• CAUSA EFICIENTE
"Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto"
Lembrando ao caro leitor que a causa Eficiente de Aristóteles está diretamente ligada ao Feitor. Nesta caminhada de comunhão com Deus, entendemos que o que somos é Obra Dele, e não nossa.

• CAUSA FINAL
"Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome"
Você sabe o motivo da Morte de Cristo na cruz por sua vida?
Para que você entre de uma vez por todas nos portais eternos.
A soberania de Deus nas culturas, nas mais variadas filosofias é algo que devíamos levar em consideração. Justamente por volta do período interbíblico surgem estes grandes pensadores Homero (Ilíada, Odisseia), Hesíodo (Teogonia). Os pré-socráticos (Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito...) tiveram como alvo a "phisis"; após estes vieram os ícones do antropocentrismo mais preocupados com o homem, a verdade e outras especulações, voltadas para o homem.
Deus prepara um mundo curioso para a Revelação da Verdade que responderá todos os anseios destes.

Referências:
SALMO 100 E A TEOLOGIA DE CULTO
Landon Jones - John I Durham, “Psalms”, The Broadman Bible Commentary, vol. 4 (Nashville: Broadman Press, 1971),
p.373.

Metafísica - livro l pág/16
Tradução direta do grego por Vincenso Coceo e notas de Joaquim de Carvalho - Aristóteles