PROCLAMANDO A VOLTA DO SENHOR JESUS!




"E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida” -Apocalipse 22:17



sábado, 15 de outubro de 2016

Felicidade conjugal não é um acidente – 4/6


Cinco decisões que podem estabelecer sua felicidade conjugal e familiar
Terceira Decisão – Encare o espelho (O que ele tem a ver com isso?)
Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante
do espelho da sua alma para reconhecer seus erros
e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas
sementes no terreno de sua inteligência.
Augusto Cury
Uma das coisas mais difíceis para uma pessoa adulta é decidir-se por uma mudança pessoal de hábitos no comportamento e atitudes. E se a necessidade dessa mudança for apontada por outra pessoa, ou requisitada, aí é que a mudança encontrará ainda maior resistência.
No entanto, quando acontece uma autoconfrontação, quando alguém vê os próprios defeitos, as próprias falhas e os próprios erros, aí se abre uma oportunidade para que as coisas sejam alteradas e encaradas de frente. Portanto, a terceira proposta de mudanças que farei a você tem a ver com como vemos a nós mesmos, já que alguns de nós não dão importância àquilo que outros dizem a nosso respeito.
A terceira decisão, então, é: Decida levar a sério a lei do espelho.
Quem não leva a sério a lei do espelho não pode entrar no processo de transformação, mas seguramente está no processo de deformação.
Veja o que Jesus disse:
Por que vês o cisco no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do olho; e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho de teu irmão. (Mateus 7.3-5)
Quem já sofreu com um cisco no olho? Praticamente todos nós. Lembra-se de quando o cisco entrou no seu olho? Foi horrível, pois os olhos não foram feitos para suportarem um objeto estranho a eles. Então, se você estava sozinho, precisou recorrer a um espelho. Só recorrendo a um espelho é que podemos ver o que está em nosso próprio olho.
Podemos ouvir o que falamos, podemos acessar nossos ouvidos e tirar algo que nos incomode, podemos limpar o nosso nariz, mas os olhos são os órgãos dos sentidos mais delicados e de difícil acesso caso sejam incomodados por um objeto estranho. Por isso, precisamos de um espelho.
Mais uma pergunta: resolve termos o espelho sem que exista luz? Não! E se o espelho estiver sujo? Também não ajuda muito.
Então, são três as coisas fundamentais que precisam existir nesse ponto: luz, espelho e limpeza. De nada adianta eu querer ser espelho para a minha esposa se não tenho praticado aquilo que estou querendo corrigir nela. O contrário também é verdadeiro: não adianta a minha esposa querer ser espelho para mim se ela tem sido um espelho sujo. Como também não adianta um querer ser espelho para o outro se a luz de Deus não estiver brilhando em casa.
E esse é o grande e recorrente problema que tenho visto acontecer com os casais. As pessoas querem corrigir as outras quando, na verdade, não sabem como elas mesmas são nem como se comportam, não veem os próprios defeitos, as próprias falhas: precisam de espelho. Ninguém melhora se não tiver espelho limpo e luz que facilitem visualizar a própria imagem. É preciso ver-se, ter autocompreensão a respeito de quem somos e de como agimos antes de querer corrigir os outros.
É comum perceber que quando alguém aponta erros em outros está, na verdade, enxergando os próprios erros. Quando alguma coisa feita pelo cônjuge incomoda, muitas vezes aquela atitude incômoda é a mesma praticada por nós. E quando vemos outros fazendo o mesmo que nós, sentimo-nos desconfortáveis e investimos no sentido de fazê-los mudar. Um bom espelho, limpo e com luz, mostraria que nós mesmos estamos fazendo aquilo que temos condenado nos outros. É o que Jesus está dizendo no versículo que mencionei há pouco.
Já imaginou se todos nós fôssemos para o trabalho pela manhã e saíssemos de casa sem olhar no espelho? Como é que você sairia na rua? Já pensou como estariam os cabelos de alguns de nós? Como estaria a roupa de alguns de nós? Mas não se preocupe, pois todos querem mostrar sempre uma boa imagem. Por isso é que vamos logo cedo à frente de um espelho e nos cuidamos para mostrar uma boa aparência.
O espelho ajuda-nos no processo de melhoramento, de mudança, de transformação. Ao mostrar aquilo que está errado, ele nos incentiva a corrigir, melhorar, mudar a imagem desequilibrada ou desajustada. Alguém poderia pensar: que bom se eu pudesse contar também com a ajuda de um bom espelho espiritual e emocional, talvez um espelho comportamental e de personalidade, limpo e bem iluminado!
Deus é o nosso espelho através da sua Palavra.
Deus é nosso espelho, usando nosso cônjuge em nosso favor.
Deus é o nosso espelho, usando nossos filhos em nosso favor.
Deus é o nosso espelho, usando os amigos em nosso favor.
Espelho limpo, debaixo de luz, não mente! E aquilo de que nós mais precisamos são pessoas que falem a verdade para nós a partir do que diz a Palavra de Deus. Pessoas que sejam usadas por Deus, pessoas neutras, que não ajam com interesses que não sejam os mesmos interesses de transformações a serem realizadas pelo Espírito do Senhor!
Precisamos de pessoas que carinhosamente digam assim: “Você está muito gordo. Você vai ter problema no coração. Você vai ter problema no seu casamento. Desse jeito, você não irá muito longe. Você já percebeu que está comendo muito açúcar? Está comendo muito carboidrato? Você tem tomado um litro de refrigerante no almoço? Preste atenção! Você está cavando sua sepultura com a própria boca”.
Alguém já falou a verdade dessa maneira a você? Precisamos de pessoas que digam ainda: “ Já percebeu que você tem dado mais valor às coisas do que às pessoas?”. Ou então: “Eu nunca vi você brigar pelo seu filho como você está brigando por causa de um risquinho no carro”.
E vou adiante. Temos tido carência de pessoas que digam: “Vem aqui, meu irmão. Vamos orar juntos”.
Precisamos estar próximos de pessoas que digam isso.
Quem tem dito a verdade a você? Precisamos ter por perto alguém que possa nos chamar a atenção quando necessário, alguém interessado em nosso crescimento. A autonomia humana não é tão saudável quanto querem nos fazer crer. Aliás, a autonomia humana está na base da maioria dos pecados que vemos nas páginas da Bíblia. O homem não pode agir isoladamente, sem consultar a Deus ou ter uma clara noção da Sua vontade, e não convém a ninguém agir sem que antes tenha consciência dos conselhos de outras pessoas: “Quando não há uma direção sábia, o povo cai, mas na multidão de conselheiros há segurança” (Pv 11.14, ênfase acrescentada).
Precisamos estar próximos de pessoas que tenham abertura para dizer: “A irmã não acha que a sua roupa está revelando um coração orientado por um espírito de sensualidade exagerado? Nunca lhe falaram que a sua roupa está levando muitos homens ao pecado?”.
Quem é que fala a verdade a você dessa forma?
Os irmãos precisam de alguém que os chame e diga: “Nunca disseram que você tem sido estúpido? Que você tem sido muito grosso? Que pelo seu modo de tratar as pessoas à sua volta ninguém suporta ficar ao seu lado?”.
Quem fala a verdade assim a você?
Ultimamente, ando à procura de gente que fale a verdade para mim porque o famoso tapinha nas costas não muda a nossa vida. Só elogios não nos transformam em pessoas melhores porque os elogios nem sempre são a expressão de uma situação real e concreta: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, disse Jesus.
Sempre recordo o dia em que terminei de pregar uma mensagem, na Assembleia de Deus do Bom Retiro, e logo em seguida uma senhora me chamou à parte e disse: “Pastor Josué, o senhor é um palestrante educado, muito polido em sua postura, mas o senhor usou uma expressão ao contar uma história que me deixou chocada. É uma expressão que não cabe na boca de um homem como o senhor! Pastor Josué, se for possível, não use mais essa frase, pois estraga a beleza do seu sermão!”.
Eu a abracei e disse: “Obrigado. Nunca mais alguém me ouvirá dizer esta frase quanto eu estiver dando uma palestra. Nunca mais!”.
Um dia, na pressa para resolver algumas questões do meu dia a dia, atender a uma pessoa aqui e outra ali, não me dei conta de que o dia seguinte era uma data importante para minha esposa e para a minha nora, e eu estava ocupando este dia com reuniões que estavam sendo agendadas. Na correria, eu ia me esquecendo, deixando passar. Então, considerando meu filho como meu espelho, liguei para ele e conversamos.
– Douglas, o que você acha disso e daquilo?
– Pai, o senhor vai ferir o coração da mãe. Talvez a Valéria – minha nora – não entenda o seu descuido. Pai, verifique se é possível mudar a data das suas reuniões.
– Meu filho, não havia pensado nisso; obrigado. Vou mudar tudo agora mesmo. Não haverá reunião amanhã. Vou desmarcar a visita também. Vamos preservar o coração da mãe e o coração da nora.
Ele é meu espelho!
As situações nas quais fazemos algo simples e corriqueiro que fere o coração das pessoas próximas são inúmeras. Pode ser uma simples pescaria com os amigos, mas que não é marcada para um dia ou momento certo para sua esposa; para ela, pode ser uma simples e rotineira ida ao shopping center ou algo assim, mas o seu coração será ferido se for em um momento errado para você.
Precisamos de espelho para enxergar o cisco no olho – espelho limpo e iluminado. Sozinhos não conseguiremos enxergar todas as coisas adequadamente. Precisamos de auxílio como também precisamos ser humildes o suficiente para ouvir e aceitar a imagem que estamos deixando à vista. Nós não a vemos, por isso precisamos saber como temos sido vistos.
Qual foi o dia em que você reuniu sua família, sentou entre eles e perguntou: “Eu quero saber de você, meu filho, que nota você dá para mim como pai?”. E, então: “Minha filha, que nota você dá para mim como seu pai?”. E ainda: “Meu bem, que nota você dá para mim como seu marido?”.
Você precisa olhar-se “no espelho”.
Quando foi a última vez que você chamou sua filha para ir a uma sorveteria e lhe disse: “Filha, eu chamei você só para perguntar uma coisa: em que você acha que o papai precisa melhorar?”. Ou com o seu filho: “Filho, em que você acha que o papai precisa melhorar?”.
Essa relação precisa ser desenvolvida de maneira mais acertada em nossa família. Precisamos trabalhar melhor as questões como “sinceridade” e “cumplicidade”. Essas virtudes funcionam como blindagem contra os acessos que o mundo lá fora procura a fim de entrar na privacidade da nossa vida e da nossa casa. Esse exercício de “espelhar” nossa vida entre as pessoas próximas promove a cura e fecha as brechas, impedindo a invasão e o saque dos tesouros do coração na família.
E o mesmo vale para o casal especificamente. Casais que não se blindam ficam vulneráveis a invasão. Há esposas que preferem afastar-se de seus maridos quando uma “invasora” aproxima-se dele. E por que ela faz isso? Para testá-lo. Para ver até onde ele vai. Essa não é a melhor maneira de agir como espelho. É preciso manter-se por perto e ser sincera sem agredir. E o marido precisa ouvi-la, pois ele nem sempre vê o que ela vê.
Converso sempre com meu filho Douglas e lhe pergunto o que ele acha de determinadas coisas nas quais estou envolvido. Ele é meu espelho e fala realmente aquilo que eu preciso ouvir. Da mesma foram, pergunto muitas coisas para a minha esposa, que é meu espelho para outros assuntos que não são do campo do Douglas. E minha esposa fala mesmo. Ela é meu espelho e fala aquilo que eu preciso ouvir.
Quem é o seu espelho?
Não desperdice cada opinião que pode promover reflexão sobre você e sobre sua família, sua vida profissional e outras áreas mais. Uma boa voz a ser ouvida é a das crianças: elas não mentem. As crianças são sinceras a toda prova e têm uma maneira peculiar de ver aquelas coisas que os adultos não veem.
Quem é o seu espelho? Quem é que tem liberdade, com amor, para lhe dizer as verdades que trarão melhorias na sua vida? Sem ouvir nem considerar a verdade, nós vamos vivendo com a sensação de que somos seres absolutos e as pessoas devem nos acompanhar, seguir e submeter-se à nossa vontade. Não é assim que devemos viver.
A família pode ser um agente eficaz de Deus para o crescimento, não para servir de apoio para delírios e insanidades. E uma das maravilhas que a família pode proporcionar é ser um laboratório para a melhoria de cada um de seus membros, um ambiente para o aperfeiçoamento da nossa maneira de ser como pessoas, cristãos e cidadãos.
Devemos ansiar por não continuar como somos, pois o cristão precisa ser como a luz da aurora, que vai brilhando, brilhando, brilhando… até ser dia perfeito.
Eu estou no Twitter, uma rede social bastante frequentada, e tenho mais de 28.000 seguidores. É inevitável conversar com muita gente por ali. E certa vez, uma irmã que eu não conhecia pessoalmente, mas que estava conectada como minha seguidora, insistiu: “Pastor, passe o seu MSN, passe para mim seu MSN porque eu estou com um problema muito sério, muito grave, e preciso falar com o senhor”.
Pensando em ajudar essa irmã, com a intenção de responder ao pedido de conselho e ajuda dela, passei o endereço de MSN. Mas eu não frequento as redes sociais escondido da minha família. Tanto o Twitter, como meu email, MSN ou Facebook são todos abertos a todos de casa, não há nada a esconder.
Quando passei o MSN a ela, quem estava próximo a mim, acompanhando-me? Meu espelho, o meu filho Douglas! E ele viu que eu havia passado o endereço de MSN para aquela irmã. Imediatamente ele me alertou.
– Pai, o senhor não percebe que o comportamento dessa mulher não é prudente? Vou lhe dar um conselho: desligue o seu contato com essa mulher. Pela insistência dela no Twitter, a impressão que me dá é que ela não está atrás de um conselho, mas atrás do conselheiro.
– Meu filho, eu não me atentei para isso. Se você sentiu isso e percebeu as coisas dessa maneira, já estou desligando – e foi o que fiz. Não aceitei o pedido de conexão com o MSN vindo dela. Ele é meu espelho e reflete, mostra aquilo que não consigo ver com meus próprios olhos.
Como você reage quando seu filho diz: “Pai, acho que não é prudente aquilo que o senhor está fazendo”?
Se você responde que “está no controle”, você está em perigo. Foi assim que Sansão caiu, quando pensou que tinha o controle nas mãos. É aquilo que eu disse há pouco sobre a autonomia: agir individualmente, desprezar o conselho, insistir em agir por conta própria. Nenhum grupo, igreja, empresa, família, nem mesmo um casal, pode subsistir quando um dos membros toma seu rumo individualmente, autonomamente. Muitas vezes, Deus usa os nossos filhos para corrigir em nós o que precisa ser corrigido. Muitas vezes, Deus usa uma filha para corrigir em nós, marido ou esposa, o que não temos visto por conta própria. Quando sua filha lhe disser “Ei mãe! A senhora não percebe que daqui a pouco o pai vai abrir mão de você? Mãe, a senhora tem sido muito chata”, acorde, irmã. Acorde, irmão.
Eu preciso ter a minha esposa como meu espelho, meus filhos como meus espelhos e meus amigos como meus espelhos. E prefiro que eles me falem a verdade, pois quando olho para o espelho, vejo a minha barriga crescendo. O espelho não diz: “Você está lindo!” quando na verdade estou feio.
Quando olho para o espelho, o espelho dá o relatório “nu e cru”: “O seu cabelo está horroroso! Você precisa fazer a barba”.
Quando eu olho para o espelho, ele mostra exatamente como sou e como estou: “Olha, você tem vestígio de creme dental no canto da boca. Você vai sair de casa assim? Você tem um fiapo de lã do cobertor pendurado no cabelo. Vai deixá-lo aí?”.
Quem é que fala a verdade para você?
Assim, decida levar a sério a lei do espelho, pois é a maneira mais rápida e eficaz de ouvir coisas a nosso respeito, coisas que não podemos alcançar por conta própria.

Pr. Josué Gonçalves é terapeuta familiar, pastor sênior do Ministério Família Debaixo da Graça - Assembleias de Deus em Bragança Paulista – SP, bacharel em teologia, com especialização em aconselhamento pastoral e terapia de casais, exerce um ministério específico com famílias desde 1990.

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