PROCLAMANDO A VOLTA DO SENHOR JESUS!




"E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida” -Apocalipse 22:17



segunda-feira, 4 de julho de 2016

Salmo 133



Este Salmo de Davi está classificado entre os cânticos dos degraus. Os Salmos dos degraus eram cantados nos degraus do Templo pelos peregrinos que acorriam à Jerusalém, vindos de todas as partes de Israel, nos dias das três grandes Festas. Havia entre eles muita alegria e união e um só propósito: o de louvar ao Senhor. A época de Davi ainda não existia Templo em Jerusalém, apenas ele preparava o material para a construção do mesmo, de sorte que Davi profeticamente já antevia o Templo e toda sua estrutura. Israel ansiava pelo Templo e por um lugar digno para a Arca de Sião.

Neste Salmo Davi deseja trazer à consciência da igreja, a glória e a comunhão dos santos. O Salmo não fala do término da dispersão, ele retrata a unidade do povo com o propósito de adorarem a Deus em algum lugar do santuário. Davi está portanto falando de uma união de irmãos como se estivessem unidos pelo sangue e pelo coração – “bom e agradável é louvar ao Senhor” (cf. Sal. 135:3), o que marca uma união entre irmãos, como se habitassem juntos numa só casa – tratava-se de uma benção de alegria que Israel experimentou por ocasião das três grandes Festas mesmo que por um período.

“Alegrei-me quando me disseram vamos à casa do Senhor.” (Sal. 122:1).

A concepção de Davi é extraordinária, pois que ele enfoca apenas duas imagens, que ele considerou importante para retratar a igreja – a união dos irmãos e a comunhão que deve haver entre eles - , com vistas ao louvor e a adoração a Deus.

Primeiramente Davi vai buscar nos dias do Tabernáculo a figura do Sumo-Sacerdote – o principal personagem na celebração da festa, daí ele usar a metáfora do óleo, cuja composição está descrita em Ex. 30:22, 24.

“Tu pois toma para ti das principais especiarias, da mais pura mirra... e de canela aromática... e de cálamo aromático... de cássia... e azeite.” “Também ungirás a Arão e seus filhos, os santificarás para me administrarem o sacerdócio” (v.30). “...este me será o azeite da santa unção...” (v.31).

Este óleo composto por essa especiarias aromáticas era proibido ao uso da vida comum. Os filhos de Arão eram apenas borrifados com este óleo. Arão, porém, era ungido com ele, Moisés derramava do óleo sobre a sua cabeça, por isso Arão era chamado de o “Sacerdote Ungido” “hacóhen hamashiah” enquanto que seus filhos eram apenas “sacerdotes ungidos” (cf. Ex. 29:7 e Num. 3:3). Tanto as vestes dos filhos como as de Arão eram salpicadas com o óleo e com o sangue da consagração (Lev. 8:12-30).

“Depois derramou do azeite da unção sobre a cabeça de Arão, e ungiu-o para santifica-lo.”

À época do segundo Templo havia falta de óleo. A instalação do ofício do Sumo-Sacerdote era através da veste – da estola sacerdotal (cf.  Lev. 21:10).

O precioso óleo, uma vez derramado sobre a cabeça do Sumo-Sacerdote escorria gentilmente até a sua barba que se caracterizava por não ser cortada nem aparadas as pontas (cf. Lev. 21:5). Assim, o óleo descia pela barba de Arão, passava pela gola da estola e continuava gentilmente até a orla da veste, mostrando que ele era totalmente ungido. Na figura do óleo, que ia da barba até a orla do vestido, Davi quis mostrar uma idéia de firme união entre os irmãos – que se unem em coração e alma -  os mais distantes unindo-se aos mais próximos. A barba e a orla de seus vestidos estão diametralmente opostas uma com a outra, assim como o orvalho do Hermon e as montanhas de Sião. A figura aponta para dois extremos: a barba e a bainha no fim (cf. Ex. 26:4).

É de um amor assim, a união dos irmãos, que Davi está falando, da forma como este óleo precioso que corre de cima até em baixo, unindo os dois pontos; um amor inseparável, entre os irmãos – a comunhão entre os santos -  uma comunhão ungida com óleo santo que desce não do Hermon, mas da glória do Pai. É assim que o Senhor vê a sua igreja, salpicada com o sangue de Jesus à semelhança dos sacerdotes e ungida com o óleo do Espírito Santo. É como se fossemos peregrinos que descessem à Jerusalém para louvar ao Senhor dentro de suas portas, nos átrios do Templo do Senhor, exalando o odor das especiarias que falam dos sofrimentos de Cristo envolvidos na suavidade do perfume, do bom cheiro de Cristo. Cristo é o cabeça, sua cabeça está cheia das gotas do orvalho, do orvalho da noite que nos espera.

Esta união de espírito dos irmãos também está simbolizada no orvalho do Hermon que desce em gotas até o monte de Sião.

O monte Hermon está assentado entre as fronteiras do Líbano, Síria e Israel. A primeira menção do Monte Hermon encontra-se em Deut. 3:9:

“Os sidônios a  Hermom chamam  Siriom,  porém os  amorreus chamam Senir.”
O Hermon também é famoso pelos cedros que ocupam suas florestas. Ainda é renomado pelas neves permanentes que pelo degelo são a fonte do rio Jordão, nas cabeceiras de Bâneas, em Cesareia de Filipos. É ainda um dos montes mais altos de Israel de onde se vê a olho nu, num raio de 100 km todo Israel. Por isso é hoje um ponto estratégico militar. O topo do Hermon está coberto por nuvens de neve.

Mas, é quando se chega ao sopé do monte que se entende o pensamento de Davi. As gotas de água que se desprendem das alturas das florestas, como se estas estivessem envolvidas por um manto, e das altas ravinas, que estão durante todo o ano cobertas com neve, após os raios de sol terem atenuado e humidificado a atmosfera, à tarde descem em gotas como de um denso orvalho sobre as montanhas em volta até seus contrafortes.

Contemplar o monte Hermon  com seu cume aureolado de uma coroa branco-dourada brilhando no espaço do céu azul, pode-se entender a imagem de Davi, que era profundo conhecedor da natureza de Israel. Em nenhum outro país o orvalho é tão denso e tão perceptível como nos distritos próximos ao Hermon.

O poeta Davi compara este orvalho – estas gotas da noite – com o amor, a união dos irmãos. São imagens de uma leveza singular, belas e profundas. É como Davi entendeu a união dos irmãos formando a igreja de Cristo. E esta frescura primitiva do Hermon desde sobre as montanhas de Sião. O orvalho do Hermon é tão abundante que torna real a imagem de sorte que alcança os montes de Jerusalém, pois os dias que precederam, bem podem ter desviado o orvalho para Jerusalém pela operação da corrente de ar varrendo para baixo e para o norte além do Hermon.

A figura de Davi ocorre na natureza e é tão belamente poética.

Quando os irmãos se curvam juntos em amor na casa do Pai é como se juntassem na cidade de Jerusalém, no dia da Grande Festa, é como se o orvalho do Hermon, que é coberto com espessa e quase eterna neve, descesse sobre uma terra infrutífera e ansiosa pelas montanhas à volta de Sião. É dali, de Jerusalém, da eterna mansão do Senhor que Jesus ordena a benção para sempre.

“Para sempre te louvarei, porque tu isso fizeste, e esperarei no teu nome, porque é bom diante de teus santos.” (Sal. 52:9).

“Então eu mandarei a minha benção sobre vós no sexto ano, para que de fruto por três anos.” (Lev. 25:21).

A benção aqui é um aposto à “vida” – a vida é a substância e a meta da benção, a possessão de todas as possessões, a benção de todas as bênçãos. E o fecho do Salmo “para sempre” pertence à “ordem” – que é a ordem de Deus inviolável e eterna. Para sempre.

O Salmo é tão pequeno, mas também é tão profundo. A maneira suave que Davi faz passar, a sua maneira de ver a igreja do Senhor. As duas imagens que ele traz, a do óleo, da unção do sacerdote – evocando com o sacerdote o respingar do sangue de Jesus misturado ao óleo – sangue este sem o qual a igreja não vive e sem a unção do Espírito Santo que opera no seio da igreja promovendo a união entre os irmãos, como se fossem de uma só família, e o são.

Ainda o orvalho de Hermon que vai até os montes de Jerusalém, onde o fecho final da benção estará ordenada para sempre. Jerusalém está rodeada de montes, o monte Sião no meio, protegido, como uma pérola encastoada. “Para os montes olharei, donde vem a salvação.” É em Sião que está decretada a benção para sempre, quando o Senhor arrebatar a sua igreja, unida para sempre.

Davi quis mostrar nestas duas imagens, que a união dos irmãos está condicionada ao sacerdócio, ao sangue de Jesus e ao óleo. Se os irmãos possuírem esses três aspectos em suas vidas, eles estarão aptos a formar uma igreja debaixo do selo de Jesus que nos garante passar à igreja na Sião celestial.

Nivalda Gueiros Leitão

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